Quantas estrelas você vale ?
É terrível, isso: ter de dar cotações, estrelas, para os filmes que a gente comenta. Elas se tornam um absoluto. Não são.
“Trabalhar Cansa” é bem mais do que as duas estrelas (“regular”) que eu mesmo lhe dei. um filme em que os autores estão buscando alguma coisa. Não trabalham o facilitário habitual.
Mas, caramba, também é verdade que existem muitas hesitações, que o filme é como que bipartido em algo alegórico (o supermercado) e uma metade social-psicológica (o desemprego do marido).
A direção de atores hesita na mesma medida: parece às vezes que deviam ser como personagens de filme de Robert Bresson, mas ficam apenas vazios.
Como disse, é um caminho difícil, tem seus erros, mas não é inconseqüente, nem vazio, é algo que promete chegar a algo, a um cinema paulista de fato novo, como o de Anna Muylaert.
É um pouco como “Corpo”: frágil em certos aspectos, mas com algo a dizer.
Quem é o autor?
O filme é assinado por uma dupla. Digo, o “Trabalhar Cansa”.
Mas “Corpo” também. E “Alegria”.
Na verdade, duvido muito dessa dupla autoria na maior parte dos casos.
É um pouco como Walter Salles. Assinava sempre os filmes em conjunto. Com o tempo, a gente vê que algo persiste nos filmes que é dele. Daniela Thomas está na dela. E bem, por sinal.
Acho muito bom que as pessoas sejam camaradas. Mas na parceria existe alguém que inventa e alguém que segue, que ajuda, que colabora. Será bom (para as pessoas) que isso fique claro).
Belas Artes – In Memoriam
A bela fotografia que ilustra o post foi enviada pelo amigo e cineasta César Gananian. A pixação “Pasolini Passou Aqui” foi feita pelo poeta Gabriel Kerhart na semana passada.

